Textos fundadores da geopoética

Um teoria? Sim. Não tenhamos medo desta palavra, que foi descartada nos últimos tempos para dar lugar a uma fomentação de coisinhas e improvisações. Sem teoria, dão-se voltas sem avançar, comprimem-se comentários e opiniões, fecha-se no imaginário e no fantasma, perde-se no espetacular, afoga-se no detalhe, sufoca-se num quotidiano cada vez mais opaco. Mas, toda teoria válida deve ser baseada num pensamento fundamental, deve ser ligada a uma prática sólida e permanecer aberta.

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Para um espírito lúcido, com senso do possível, raras são as épocas da história humana que foram realmente satisfatórias, ou ainda aprazíveis. O sentimento geral, a sensação geral que podemos ter, neste fim de século XX, é aquela do nada – um nada repleto de barulho e de furor, de discursos moralizadores, de estatísticas sociológicas, de teias pseudo-culturais, de sentimentalidades de água-com-açúcar, e o conjunto disso, com um fundo de tédio existencial.
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No domínio científico, as Considerações cosmológicas de Einstein (1917) marcam uma etapa importante : eis uma tentativa feita para pensar o cosmos, em vez de simplesmente( metodicamente) pesar matéria e medir as coisas. Mas, em vez de comentar esse tratado, prefiro no contexto que é o nosso, mergulhar no fundo psicológico do homem Einstein, tirando de sua correspondência (sobretudo com Max Born) certas frases indicando uma problemática íntima, um questionamento existencial e um espaço de pensamento (e de ser) além da “pesquisa”.
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Foi Roger Caillois que, um dia, comparou o excesso de reflexividade da filosofia como é praticada na maioria das vezes enrolada em si mesma na defesa do mamute : sintoma de fim de percurso, da falta de um verdadeiro campo de forças. É frequentemente a impressão que se pode ter quando se lê o monte de textos filosóficos, e é sem dúvida por esta razão que, nos últimos tempos, tantos aprendizes filósofos se dirigiram para a etnologia, a sociologia, ou mesmo para a intervenção médiática. Mas, dentro do trabalho filosófico propriamente dito, houve, a partir do final do século XIX e ao longo do século XX, deslocamentos, mudanças de lugar, transformações topológicas que são mais fundamentais e interessantes.

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